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sábado, 5 de julho de 2014

Alimentando o coração, comfort food


Acabei de voltar de viagem e mais uma vez fiquei extasiada com as maravilhas que degustei .
Percebi também que não existe quase nada mais brasileiro do que brasileiro falar mal do Brasil, quase cai nessa cilada, grata aos meus amigos de energia tão elevada que me alertaram sobre isso!
Sair do Brasil realmente expande muitas percepções, não precisamos no entanto diminuir oque temos.
Buenos Aires é uma cidade espaçosa e com muito charme. Se come divinamente e as pessoas são muito educadas.
Recomendo fortemente!

Comfort food é comida emocional, nos leva diretamente para a infância.
E aqui na Argentina me identifiquei muito com a parilla pq sou do sul e os grelhados no carvão são uma marca do nosso final de semana.
Também como é inverno tem muitas sopas,    e sopa sempre me lembra casa e aconchego, puro conforto.
Comi muito pão artesanal,  que me remete diretamente os paes da mãe , da vó. Comi queijos caseiros, doce de leite fresco e orgânico. Emoção em forma de comida.
E também fiquei caçando o melhor alfajor ever, e achei! no mercado de San Telmo na barraquinha de uma casal idoso simpático e que o sr come todos os dias este alfajor, pq de bobo ele não tem nada! o alfajor é mesmo muito especial, macio e não muito doce.
Também fomos em casas bem familiares jantar,  junto com o pessoal do bairro e dai a coisa foi seria,  batata encharcada e pedação de carne,   quase como na casa da tia, sabe?  pena que eu não consigo mais comer frituras, ainda bem que minha amiga lembrou das batatas da infância dela e se divertiu!

 
E tudo sempre regado a vinho, que lá é muito bom e ótimo preço.
Definitivamente comfort food na Argentina é a parilla,  interessante descobrir que de certa forma pra mim também.
 
 
Feliz com tantas lembranças lindas na vida, aberta para mais!
 
 
 
 



domingo, 24 de novembro de 2013

Chuva ... de pitanga!

 

Oque mais me fascina na gastronomia é que o mundo me inspira todos os dias a criar novos sabores.
Ou são as pessoas com suas receitas de família:  incrível como pode um simples molho de tomate ter tantas versões na comunidade italiana ou quantas variações eu já ouvi do chimichurri argentino!
Qual família espanhola não tem a receita 'original'  da paella ou o mineiro o seu segredinho?
Ou as pessoas com suas manias,  desejos, medos:  agradar o paladar de  grupos variados é um desafio!
Ainda mais agora com tantas dúvidas sobre oque é comida de verdade e tantas linhas diversas defendendo uma comida saudável nesse mar de processados e industrializados,   todos nas suas ilhas- não como isso, não como aquilo....
Também a literatura, o cinema, a musica,  tudo pode virar ou já virou um prato  pra mim ou para eu alegrar alguém.
Oque eu gosto mesmo é de uma boa comida feita com ingredientes frescos,  o mais fresco possível, preferencialmente direto do pé! 
O gostoso é comer ali na hora,   mas com sorte tem bastante para saciar a gula e levar um tanto pra casa e criar algo especial. Gastronomia.
Viver o máximo possível a natureza ao nosso redor , olhar para ela, prestar atenção. Ela é tão generosa e olha que eu vivo numa das maiores cidades do mundo, São Paulo.
Passeando nesse domingo preguiçoso de sol tímido e chuva que vem e vai,   como sempre encontrei surpresas que encheram os olhos (e a boca ) e alimentam além do corpo  a alma de tanta simplicidade e força.
Teve promessa de goiaba:

goiabinhas nascendo
 
Encontrei bananeiras carregadas!
mais adiante na mesma rua tinha outra com um cacho enorme!
E claro as pitangas maduras , alegres , brincalhonas que choveram em mim e abrem esse texto.
 
Ainda encontrei jabuticabas ótimas  e pêssegos que já estavam passados mas pela quantidade que vi no chão a árvore se esforçou muito e deu muitos frutos.
E isso me faz sempre pensar: será que as pessoas olham a cidade? comem as frutas que ela dá? Fazem doce? põem na salada?
Entre esta que está exposta à poluição e a convencional que está exposta aos agrotóxicos, prefiro esta, na verdade prefiro os orgânicos  :)   mas não descarto essa que a cidade nos oferece. 
Cheguei em casa com vontade de comer algo leve com o  pão de aveia que tinha feito  ontem  e claro usar a pitanga que trouxe comigo:
cortei 2 fatias de pão e coloquei no prato:
coloquei primeiro as folhas de rúcula, bastante , ficou bem alto.
Dai vieram as mangas em cubos com as pitangas sem caroço.
ficou lindo , colorido!
reguei com o azeite extra virgem e comi feliz, tão feliz que não lembrei de tirar foto!!!
Mas o picante da rúcula com a maciez e doçura da manga e o azedo /amargo da pitanga ficaram fantásticos!
Uma entrada leve para servir agora no verão,  cheia de cor e sabores contrastantes!
Diferente para comer como entradinha no natal ou nas festas diurnas.
 
Olhando a cidade com olhos mais amorosos!
 
Que presente! vem pra mim!
 
 
 
 
 


terça-feira, 17 de setembro de 2013

O simples ato de comer....

....Talvez não seja tão simples atualmente.  Para mim sim que sou uma comilona feliz, se bem que tenho meus vícios...  Está ai, a relação com a comida atualmente gera culpa ou confusão.
Busco charme e simplicidade na vida. Quero rir e brincar com as pessoas, com a natureza, o mundo.
A gastronomia é uma excelente ferramenta para aproximar tudo e todos,  natureza, culturas, humores, emoções, saúde e por ai vai...
Por ser cozinheira converso muito sobre receitas, e as pessoas tem muitas manias.
Começa na infância,   o maior jogo entre pais e filhos envolve comer ou não comer, eis a questão.
E os adultos /pais da vida moderna não sabem mais oque é comida,   ai a coisa complica de verdade.
Por outro lado, os guardiões da boa alimentação são tão rígidos, veganos, vegetarianos, ayurveda, macrobiótica , raw food, molecular, sem falar da moda dos superchefs que levantam bandeiras da gastronomia x ou y,    não é leve isso tudo.  E na verdade é tão simples, está no nosso dna,  pegar um ingrediente da terra e comer, preparar ele combinando com outros ingredientes ou aquecendo já é gastronomia, já é sofisticado.
Acho que o começo de tudo seria descobrir de novo oque é comida de verdade. Saber que os processados, refinados, conservados demais, não são comida. Sim , podemos come-los eventualmente, puxa vida, eles estão ai neh?    Mas precisamos olhar com a visão correta, não é comida, não alimenta, não nutre.
Uma mudança possivel na cozinha de casa:  não comprar açúcar, farinhas  e sal refinados. Começar a encomendar cesto de orgânicos, tem alguns que entregam em casa por um preço justo ;) 
Com estas 2 mudanças relativamente simples já muda muita coisa na nossa rotina alimentar. Aos poucos , suavemente e distraidamente nosso paladar vai mudando, nosso humor e saúde também e um dia vc acorda e não entende como pode um dia tomar refrigerante ou achar aceitável macarrão instantâneo. Serio, aconteceu comigo.
Nos informarmos um pouco sobre a indústria de alimentos também ajuda muito ,   perceber o quão somos manipulados dá um vigor , uma energia para fazer algo melhor para todos.  Mudar nossa maneira de comprar, comer , viver,  sermos mais verdadeiros, autênticos. 
Sempre faço rodas de conversas obre isso no Otto,  quem tiver interesse por favor entre em contato.
https://www.facebook.com/OttoBistrot

Hoje fui pegar pimenta num pezinho que nasceu na minha janela para fazer uma receita bem simples
pimenta malagueta no meio das flores que o beija flor vem visitar!
 
Rale uma maça, misture com a pimenta fresca picada fininha,  monte sobre um pao integral no caso eu usei um que fiz com aveia, cachaça e linhaça,   queijo gouda ralado grosso, tomatinhos cereja em fatia e azeite extra virgem!
 bombombombom!
a picancia, a acidez , a gordura, tudo super equilibrado e saboroso!
comi todas!
usei o suquinho da maça para o molho de pimenta e depois ela ralada mesmo!
 
Na verdade eu deixei 1 pro meu amigo André que estava aqui comigo, pq gosto muuuuuuito dele!
:)  rsrsrsrsrs
 
 
 




quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A vida que inspira e vai pro prato!

Com este friozinho de hj, que adoro na verdade,   fiquei quietinha na poltrona me aquecendo com um cobertor gostoso e pensando na vida.  E percebi que os meus momentos inspiradores foram para o prato. 
Claro que tenho as memorias gastronômicas da vida, quando como tangerina lembro das guerras com primos e vizinhos que fazia na infância quando os pés eram tão carregados que o chão era alaranjado de frutas , arsenal sem fim.... Jabuticaba me lembra a casa da tia Ruth e tio João que tinha um pé tão generoso que eu podia ficar a tarde inteira pendurada nos galhos e me empanturrando ate enjoar.

Arvore feliz!

 Cucas e pães em geral me lembram a volta pra casa da escola e minha mãe tinha acabado de tirar eles do forno. São tantas lembranças que merecem um outro post,  e na realidade tudo oque escrevo tem um pouco desse acervo.

      
Puro amor
 
Mas hoje percebi que as pessoas que encontro influenciam muito no jeito que cozinho no momento.
Isso ficou claro porque lembrei da geleia de manga com maracujá e cachaça que fiz , ficou delicia e nasceu pelas experiências que venho fazendo com cachaça nos últimos 2 anos, desde que conheci a Gabi e o Felipe do Mapa da Cachaça.
Antes eu raramente usava cachaça,  muito pontualmente  em receitas que pediam esse ingrediente como um cozido de carne, nunca havia criado nada espontaneamente com ela.
Comecei colocando cachaça no pão,   e o sabor da farinha ou do centeio se evidenciou , tbem acho que a casquinha fica mais dourada...
Depois comecei a colocar nos molhos com ervas e pimentas.  O toque amargo funciona muito em algumas receitas, que ficam outra coisa. O molho de pimenta em especial me agrada bastante, além da picancia um amarguinho,  muito bom. A geleia de maça com pimenta fica bem diferente tbem com um toque de cachaça.
Quando coloquei na feijoada, que fica incrível, nunca mais cozinhei feijão sem cachaça!
Fica mais encorpado o molho e realça muito o sabor.
Agora este doce com maracujá e manga ficou fantástico!
A manga é o corpo da geleia , macia , doce e o maracujá explode com a cachaça,  azedinho, bom demais..
Amigos de outros países com culturas gastronômicas diversas ou que me presenteiam com ingredientes exóticos   ou ainda receitas de famílias,   enfim, boas historias e boas companhias vao pro prato sim.

Já estou curiosa para saber quem ou oque vai influenciar o meu fogão no futuro ....